Trabalhador-estudante, desmistificado.

Um sincero testemunho.

Diogo Lavarinhas
5 min readApr 6, 2021

Antes de mais existe um ponto assente que desejo salientar.

“Ser trabalhador-estudante, não te faz melhor do que nenhum outro estudante. Prosseguir estudos é sempre uma opção tua, e não uma obrigação.”

É óbvio que prosseguir estudos é cada vez mais importante e para muitas pessoas acaba por se assemelhar a quase que uma obrigação, embora não a seja. Quando uma pessoa é trabalhadora-estudante pois procura um rendimento para as suas necessidades e vontades, é inteiramente uma escolha da mesma que de forma alguma deve ser criticada, desde que seja capaz de demonstrar um rendimento satisfatórios nos desafios a que se propõe.

Já quando uma pessoa é trabalhadora-estudante, devido à necessidade de pagar os seus estudos, existe aqui uma ideia de enaltecimento pessoal, quase como esta pessoa seja melhor do que os outros estudantes, da qual não é completamente verdade. Embora esta pessoa esteja a realizar um esforço que certamente será algo superior face a colegas apenas estudantes, é de destacar que existe todo um passado prévio relativo à escolha da instituição, do curso, área geográfica e também um passado que determinará quais as instituições de ensino superior que estarão prontas a recebe-la.

Existe uma importante enorme na escolha destas decisões, das quais devem ser extremamente ponderadas e encaradas com responsabilidade. Estas influenciarão imenso os anos seguintes, e há que encarar as suas consequências com afinco.

Quote from José Ortega y Gasset

Com o total intuito de ajudar estudantes que se encontrem nesta situação, desejo partilhar três máximas, das quais considero cruciais e que em muito me têm vindo a ajudar.

  1. Quotidiano bem organizado com ótimo aproveitamento do tempo livre.

Embora esta dica possa parecer um pouco óbvia, é essencial cumpri-la à risca de modo a evitar-se chegar a um ponto onde temporalmente é impossível cumprir todas as tarefas a que fomos propostos, que na esmagadora maioria das vezes danificam o nosso sucesso académico.

Existe então a necessidade de lutar fortemente pelas 8 horas de sono, e quando existir tempo livre, que o mesmo seja fortemente aproveitado com produtividade e evitar ao máximo qualquer tipo de procrastinação, mesmo com o possível cansaço acumulado.

Não existe nenhum tipo de quotidiano perfeito pois as atividades e modos de funcionamento, diferem de pessoa para pessoa, porém, o mais importante é arranjarmos umas horas diárias para estudar e realizar os nossos projetos académicos, de modo a evitar que venha a ser criado um caus na altura das entregas e das frequências. Caus esse que por experiência própria, irá sempre acontecer.

2. Procura constante por um Mindset o máximo positivo e alegre.

Com esta máxima pretende-se que encares todos os dias com o máximo de alegria e positivismo possível. Embora possa parecer hediondo esta máxima é muito importante, pois é uma das melhores formas que vais conseguir combater o cansaço e fazer com que as outras pessoas também te ajudem a combatê-lo.

Quando estas mais cansado, deprimido e cabisbaixo as pessoas à volta deixam-te mais sozinho, respeitam o teu espaço e ficas num ambiente mais calmo e silencioso que te trará sonolência, desatenção e desinteresse pelas atividades que estarás a exercer, isto acontece tanto em ambiente de trabalho como em ambiente de faculdade.

Ao invés do exposto anteriormente, mesmo estando cansado, se entrares nos espaços com alegria e positivismo as pessoas vão interagir mais contigo, o ambiente vai ficar mais animado e terás mais facilidade em manteres-te desperto e atento.

3. Foco no teu sonho.

Esta para mim é a máxima mais importante. Nos momentos difíceis, desgastantes e cansativos, muitas vezes vais dar por ti sozinho a apanhar o metro/comboio etc, ou simplesmente a estudar ou a trabalhar e vais te encontrar exausto, com tarefas por realizar e a necessitar que permaneças firme e produtivo, e nesta altura, terás de te agarrar a ti, e às tuas vontades, aos teus sonhos, aos teus objetivos e desejos.

Poderá parecer clichê, mas na verdade… Ninguém disse que a faculdade é fácil, e certamente que o mundo laboral também não o será. Com certeza maior ainda, digo que existirão desafios ainda mais difíceis do que ser trabalhador-estudante, porém, aos desafios que nos encontramos na atualidade, há que dar o máximo e fazê-los da melhor forma possível.

É muito importante teres orgulho no que tens vindo a alcançar.

Sendo trabalhador-estudante, encontrarás grandes dificuldades em cumprir os teus objetivos académicos.

Obviamente que no nosso percurso académico devemos de dar sempre o nosso máximo em todas as atividades a que somos propostos de modo a que no final, obtenhamos a melhor classificação possível. Posto isto, devido ao grau de complexidade de algumas temáticas e certos momentos de avaliação, existirá a necessidade de se elaborar uma estratégia para que se obtenha a melhor classificação possível.

Como em todas as estratégias, estas carecem da necessidade de existirem objetivos, e estes objetivos podem ser, por exemplo, a obtenção de uma média final de 14 valores, semestral de 15, 16 a uma certa cadeira, etc. É sempre uma boa ideia colocar-mos os objetivos elevados, porém alcançáveis, de modo a puxar-mos por nós próprios e novamente, obtermos a melhor classificação possível. Porém, após encontrar-me com a licenciatura quase terminada, digo que sendo um trabalhador-estudante, encontrarás sérias dificuldades em cumprir estes mesmos objetivos académicos, e apesar de ser necessário e benéfico manter os objetivos elevados e nunca desistires de os atingir, é mais importante assegurares que estás a dar o teu melhor, e não desanimares por teres atingido uma ou outra nota inferior à que estavas à espera.

É extremamente importante não perderes o ânimo.

Por último, não te esqueças que os trabalhadores-estudantes têm direitos, e faz questão de os salvaguardares e utilizares quando fizer sentido. É essencial saberes os direitos que poderás recorrer e pedir, dos quais te podem facilitar em muito as limitações temporais que este desafio implica.

Os direitos mais conhecidos, pois são muito falados, é o facto de um trabalhador-estudante “não ter a obrigatoriedade” de estar presente nas aulas pois as suas faltas encontram-se sempre justificadas. Apesar de estar ser uma verdade que ocorre quando as aulas não carecem de momentos de avaliação, por experiência própria, digo que é algo que enquanto trabalhador-estudante não devemos de aproveitar constantemente.

Devido ao cansaço acumulado, se tivermos na nossa cabeça a ideia de que não é necessário deslocarmo-nos às aulas pois as faltas encontram-se justificadas, iremos acabar por nos conformar e muito possivelmente, acabar por faltar a imensas aulas das quais prejudicará imenso o nosso sucesso académico. Este direito apenas é bem utilizado quando, efetivamente, existem impossibilidades de assistirmos às aulas.

No lado da entidade empregadora, existem licenças das quais podemos pedir, de modo a existirem alguns dias que possamos nos concentrar 100% nos estudos. Essas licenças são de enorme importância na altura as frequências e alturas de entregas de projetos, pois é quando nos encontramos num epicentro de responsabilidades, e onde a nossa produtividade e energia deverá estar alocada apenas no nosso percurso académico.

Porém, por experiência própria, a realidade não é tão fácil assim. Tenta utilizar sempre mais os direitos a serem disponibilizados pela instituição de ensino superior, do que pelos direitos a serem aplicados na entidade empregadora, pois na realidade, muitos desses arrecadam burocracias enormes e grandes dificuldades em serem aplicados.

Neste link encontra-se as legislações e direitos de um trabalhador-estudante.

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